CÂMARA DE VASSOURAS GARANTE PLANO DE SAÚDE COMPLETO PARA VEREADORES E SERVIDORES, MAS CORTA SALÁRIO DE QUEM ADOECE
Ilustrativo A Câmara de Vereadores de Vassouras aprovou a Lei nº 3.864, em 23 de dezembro de 2025, que cria o chamado “auxílio-saúde” para vereadores e servidores comissionados. Na prática, porém, o benefício funciona como um verdadeiro plano de saúde bancado com dinheiro público.
De acordo com o texto aprovado, terão direito ao reembolso integral ou parcial de uma extensa lista de serviços, incluindo consultas médicas, procedimentos clínicos, odontologia, cirurgias, internações, exames laboratoriais e de imagem, fisioterapia, nutrição, psicologia e fonoaudiologia. Um pacote completo, comparável aos melhores planos privados disponíveis no mercado.
O ponto que chama atenção é que o benefício não é estendido à população em geral, que depende exclusivamente do SUS, frequentemente sobrecarregado, com filas, demora para exames e dificuldade de acesso a especialistas.
CONTRADIÇÃO GRAVE
A indignação aumenta quando se observa que, recentemente, a própria Câmara aprovou uma lei que reduz o salário de servidores que precisarem se afastar por licença médica.
Ou seja, o mesmo Legislativo que garante um plano de saúde robusto para si próprio penaliza financeiramente quem adoece.
Na prática, o servidor que precisa cuidar da saúde é punido no contracheque, enquanto vereadores e cargos comissionados passam a contar com uma rede ampla de atendimentos pagos pela população.
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
A mensagem que fica é clara:
- Para quem está no poder, conforto, reembolso e atendimento garantido.
- Para quem adoece e precisa de licença, corte salarial.
A decisão levanta questionamentos sérios sobre prioridades, justiça social e sensibilidade com o dinheiro público. Em um município onde a população enfrenta dificuldades no atendimento básico de saúde, a criação de benefícios exclusivos para a classe política soa como privilégio.
PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR
Por que vereadores precisam de um plano de saúde próprio pago pela população?
Por que o servidor doente perde salário enquanto parlamentares ganham mais benefícios?
Onde fica a coerência entre discurso e prática?
A aprovação dessas leis expõe um abismo entre quem legisla e quem paga a conta.




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