Prefeito “tiktoker” Jonas Dico ignora crise na saúde enquanto clínica de diálise corre risco em Três Rios
Gazzetta news A saúde pública de Três Rios atravessa um dos momentos mais críticos de sua história recente. Enquanto o prefeito Jonas Dico se projeta nas redes sociais com vídeos e postagens, adotando a postura de um verdadeiro “prefeito tiktoker”, pacientes renais crônicos do SUS enfrentam a possibilidade real de interrupção de um tratamento vital: a diálise.
Uma denúncia formal, técnica e amplamente documentada foi protocolada no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e expõe um cenário de asfixia financeira que ameaça diretamente o funcionamento da clínica de diálise responsável pelo atendimento dos pacientes no município. De acordo com o documento, a dívida acumulada ultrapassa R$ 2,1 milhões, resultado de atrasos recorrentes e da não transferência de recursos públicos com destinação específica.
São verbas essenciais, carimbadas pelo Sistema Único de Saúde, que deveriam garantir a manutenção do serviço. No entanto, segundo a denúncia, esses valores não chegaram à clínica, comprometendo um tratamento que não admite interrupção. O levantamento técnico aponta duas frentes principais do passivo financeiro: cerca de R$ 1,4 milhão referentes a atrasos desde dezembro de 2024, envolvendo produção FAEC e cofinanciamento municipal; e outros R$ 753.200,00 relativos ao cofinanciamento estadual de 2025, valores que teriam sido repassados ao município, mas não à unidade de diálise.
O impacto é imediato e alarmante. A clínica enfrenta dificuldades para adquirir insumos básicos indispensáveis ao tratamento, como dialisadores, medicamentos e linhas de sangue. Há também atrasos no pagamento de médicos, enfermeiros e técnicos. Diferentemente de outros serviços de saúde, a diálise não pode ser suspensa. A interrupção do tratamento representa risco concreto e imediato de morte para os pacientes.
Diante desse cenário, os questionamentos recaem diretamente sobre o comando do Executivo municipal. Onde estão os recursos repassados pelo governo do Estado? Por que verbas do SUS, destinadas exclusivamente à manutenção de um serviço vital, não chegaram à clínica de diálise? Enquanto essas perguntas seguem sem resposta, o prefeito Jonas Dico permanece distante da crise, sem apresentar soluções públicas ou medidas efetivas para garantir a continuidade do atendimento.
A cobrança é direta: como ficam os pacientes que dependem da diálise para sobreviver? Que providências administrativas foram adotadas para impedir que atrasos burocráticos colocassem vidas em risco? Onde está o prefeito diante de uma crise que ameaça um dos serviços mais sensíveis da saúde pública de Três Rios?
A Secretaria Municipal de Saúde surge no caso como instância operacional, mas a responsabilidade política, administrativa e legal pela correta e tempestiva aplicação dos recursos públicos é do chefe do Executivo. Em situações como essa, a omissão deixa de ser apenas administrativa e passa a ter consequências humanas irreversíveis.
Também chama atenção o silêncio da Câmara Municipal. Em um caso que envolve possível retenção de verbas da saúde e risco concreto à vida de pacientes, o papel fiscalizador do Legislativo passa a ser cobrado pela população, que aguarda posicionamentos claros e providências efetivas.
O Ministério Público foi acionado para apurar os fatos, identificar responsabilidades e exigir a regularização imediata dos pagamentos à clínica de diálise. A investigação busca impedir que a crise avance ainda mais e que pacientes sejam submetidos a riscos inaceitáveis.
A população de Três Rios exige respostas. Saúde não é favor, nem instrumento de autopromoção política. É direito constitucional. Quando a vida está em jogo, a omissão não pode ser uma opção.




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